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massarebarbativa



Quinta-feira, 12.07.18

Saber quando dizer STOP

A greve dos professores teve como consequência o reconhecimento por parte do Ministério da Educação da necessidade de encetar negociações no que concerne a forma de cálculo do tempo de serviço dos professores depois do descongelamento das progressões na carreira. De acordo com o jornal Público, “a reunião desta quarta-feira terminou sem acordo, mas o Governo mostrou abertura para negociar. Foi nomeada uma comissão bipartida para estudar os impactos financeiros da recuperação do tempo de serviço dos docentes”. Apesar deste parco entendimento, a plataforma sindical, de que fazem parte a Fenprof e a Federação Nacional da Educação (FNE), decidiu suspender o protesto na próxima sexta-feira. No meu entendimento, demonstraram bom senso. No entanto, o  novo Sindicato de Todos os Professores (STOP), que não esteve presente na reunião por não ter sido convocado, decidiu manter o pré-aviso de greve às reuniões de avaliação que se estende até ao final deste mês e prolongar o protesto. No meu entendimento, demonstrou falta de bom senso. Aliás, nada mais seria de esperar do seu principal dirigente, André Pestana, eleito em 2012 para o Conselho Geral do maior sindicato de professores do país (SPGL-FENPROF) de onde saiu desiludido com a falta de abertura à renovação da estrutura. O STOP não pretende assumir nenhum compromisso com o Ministério da Educação. Acusa os outros sindicatos de sectarismo mas o sectário extremista é ele porque o radicalismo ideológico de esquerda é o seu modus operandi.

Por que razão é inconcebível para o STOP que os docentes não prolonguem a greve após a existência de uma abertura negocial e semanas de greve às reuniões? Porque negociar nunca fez parte dos seus objetivos. Num momento de aproximação das partes envolvidas na negociação, o que faz o STOP? Radicaliza a sua pseudo luta até ao final do mês de julho. O seu radicalismo ideológico envolve a manipulação das massas (docentes) insatisfeitas. Não sejamos ingénuos nem nos deixemos instrumentalizar. Se perguntássemos ao dirigente do STOP o que pretende negociar, a resposta seria nada! Uma estrutura sindical incapaz de reconhecer a necessidade do estabelecimento de compromissos para encetar o diálogo, incapaz de ceder e firmar acordos, não pode merecer a minha confiança. É a negação do que deve ser um sindicato responsável. Pretende impor a sua visão radical da sociedade, uma sociedade em que impere a luta, a divisão, o antagonismo e a crispação entre si e os outros. Não é diferente de outros movimentos populistas que infelizmente proliferam pela Europa. É um dirigente de um sindicado populista tal como o BdC é um populista de um clube de futebol! É evidente que o surgimento destes movimentos tem uma causa. No caso dos sindicatos da educação, a sua incapacidade para entender os anseios, preocupações e pretensões dos docentes, bem como a sua sujeição ao timing político imposto pelas direções dos partidos dos quais são próximos.

Em setembro nada está garantido mas prefiro apostar na negociação, no diálogo e na possibilidade do estabelecimento de compromissos entre ambas as partes. Posso estar enganado! Mas para mim é o posicionamento correto para quem prefere viver numa democracia do que na República Popular Democrática da Coreia. Como democrata, sou contra o radicalismo, o extremismo e o sectarismo. Para o dirigente do STOP, a luta foi histórica e a única coisa que o Ministério da Educação teve para apresentar foi uma mão cheia de nada. Mas, no dia 31 de julho, quem terá uma mão cheia de nada será ele. E terá sempre uma mão cheia de nada. É do nada que se alimenta o seu radicalismo.

Quando a luta legítima e justa de todos é substituída pela luta de poucos, esta tem como única consequência o prejuízo ostensivo e imoral dos outros. Quando isto acontece, talvez seja altura de dizer STOP!

 

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por Pagliacci às 23:25

Quinta-feira, 05.07.18

O Jato do IP3

Jato.jpg

O jato do IP3 não é nenhum jato privado que transporte comodamente celebridades do mundo do desporto ou da música ou outras gentes afortunadas. O jato do IP3 é o meu carro que, diariamente, rola e não voa, entre Coimbra e Tábua. Parece que voa de tanto rolar. Rola há cerca de oito anos. O jato do IP3 não é um veículo comercial de um representante comercial de uma qualquer empresa. O jato do IP3 é o veículo de um … professor! Professor com vinte anos de carreira, mas que ainda se encontra no… 2.º escalão. Sim, o 2.º escalão é aquele a seguir ao 1.º escalão, ou seja aquele para o qual se ingressa quando se entra na carreira docente. Isto das progressões automáticas é fenomenal! Contas redondas, ganho mais 1,26 euros à hora (ilíquidos), 6,37 euros por dia (ilíquidos), i.e., cerca de 79 euros mais do que um professor que ingresse neste momento na carreira docente. Compro o livro «Cebola Crua com Sal e Broa» de Miguel Sousa Tavares em wook.pt. 10% de desconto imediato, portes grátis e atesto o jato do IP3. Mas para o Ministério da Educação eu e o meu jato do IP3 não voaram nem rolaram, simplesmente sofreram um apagão. É como recordar o anúncio ao Citroën Dyane mas modificado para “progressão na carreira mal precisam” e “aumentos nem pensar”. Porque gasolina e oficina é para esquecer! Os cerca de 120 km diários dos últimos anos letivos não existiram. Eu e o meu jato do IP3 não fizemos o IP3 com lençóis de água nas bermas ou junto dos separadores centrais, devido às chuvas torrenciais que obrigavam a circular com precauções extremas, não assistimos a acidentes ou estivemos retidos em filas de trânsito, ou ainda sofremos desvios por estradas secundárias devido aos periódicos trabalhos de limpeza das zonas envolventes, bem como aos ocasionais trabalhos de manutenção, não circulámos numa só faixa por motivo de desabamento de terras e rochas das encostas, nem respirei o ar insuportável ou me comovi com o negrume da terra e das árvores e o sofrimento dos meus alunos aquando dos incêndios. Mas daqui a três ou quatro anos, eu e o meu jato obsoleto do IP3 vamos poder circular num IP3 requalificado com perfil de autoestrada e Wi-Fi e 5G. Uma obra com o investimento de 134 milhões de euros, anunciou o primeiro-ministro. De facto, durante muitos anos o IP3 sofreu um apagão. Um apagão provocado pelo esquecimento dos sucessivos governos, o que implicou elevados custos económicos e sociais para a região centro, bem como insubstituíveis vidas humanas. Mas ao declarar que ao fazer obra no IP3 está a decidir não fazer evolução nas carreiras ou vencimentos está a cometer um erro político grave. Obras e vencimentos são despesas de natureza diferente. Não devia apresentar como argumento uma falácia. Além disso, esta afirmação coloca em causa a convocatória, por parte do Ministério da Educação, para uma reunião negocial, como prova da boa-fé negocial do governo, a 11 de julho. Porque convocar uma reunião negocial como prova de boa-fé quando decidiu assumir publicamente não fazer evolução nas carreiras? As progressões na carreira docente ou em qualquer outra carreira da função pública são uma questão de justiça. Decidiu investir no IP3, fez bem, mas decidiu desinvestir nas pessoas e nos que trabalham, fez mal. Substituir um apagão por outro não é solução. Vrrrrom!

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por Pagliacci às 17:51


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